Quinta-feira, 5 de Maio de 2005

Navio

navio.bmp

Não gosto de despedidas!

Odeio aqueles beijinhos que nos dão, as palmadinhas na cabeça, os mil e um conselhos, o ar triste de uns e o invejoso de outros!

Sempre que viajo não deixo ninguém ir despedir-se.

Irrita-me estar na amurada no navio a ver todos a dizer adeus para quem fica em terra e mesmo os de aspecto mais fino não resistem a mandar um “gritinho” para o primo que está no cais!

- Toma conta de tudo lá em casa!

- Um abraço, pá!

Subo a rampa de acesso ao e vou para o meu camarote, é um camarote amplo com as paredes folheadas a madeira uma pequena salinha, quarto e casa de banho.

Enquanto espero que me tragam as malas abro imediatamente a vigias, odeio sentir-me fechada, dali avista-se o rio e a saída para o mar.

Estou ansiosa por me apanhar em mar alto.

Chegar a amurada e ver tudo azul quase não distinguindo onde acaba o mar e começa o céu, sentir a brisa no rosto, o cheiro do sal e o inconfundível barulho da água a bater no casco,a esteira de espuma que fica para trás, perdida, abandonada mas por outro lado livre!

Lá fora ouve-se o barulho do porto, as vozes, as máquinas, os guinchos das gaivotas!

Cá dentro ouvem-se risos, passos barulho de malas portas que abrem e fecham!

O grande navio é puxado pelo pequeno rebocador que o leva em direcção ao mar, o contrário dos Seres Vivos em que é o grande que leva pela mão o pequeno para que este aprenda a enfrentar a vida!

Depois de arrumar tudo no armário e nas gavetas, preparo um bom banho com sais de violetas, os meu preferidos!

Dispo-me lentamente olhando água e o céu através da vigia e deixo cair cada peça de roupa a meus pés.

O vestido camiseiro descai acariciado-me o corpo e as pernas para ficar no chão sobre os meus pés como uma flor, a combinação de seda segue-lhe o exemplo e a flor toma o ar um hibisco laranja fogo com o centro dourado, as cuecas caem por cima dado o toque final, olho para o chão, dou um pequeno salto para não estragar a “obra-prima”!

Ficou lindo!

Atiro um sapato para cada lado, um voa até perto da banheira o outro fica confortavelmente “sentado” no sofá!

Paro em frente ao espelho e observo o meu corpo, gosto do que vejo.

Nem gordo nem magro, peito normal, já foi mais bonito, mas que fazer... Barriga, a barriga é que me aborrece bastante, um dia...Um dia!

Pernas, adoro as minhas pernas, eu e mais não sei quantos gajos....

Passei na “inspecção” posso ir para o banho!

Quando entro naquela água perfumada com violetas, esqueço do Mundo, dos problemas, de tudo o que é mau, parece que só as coisas boas ficam junto de mim!

Estou perdida em mil pensamentos quando começam a soar nos altifalantes do navio os avisos sobre “o programa das festas” como lhe chamo.

Que bom o jantar hoje é de máscaras, para que as pessoas se descontraiam e se comecem a conhecer!

Vou de Bruxa!

Bruxa, não Feiticeira que sempre é mais requintado! Adoro bailes de máscaras...

Saio do camarote toda de negro vestida, o vestido é justo ao pescoço com mangas compridas e justas que afunilam de modo a enfiar uma pequena argola no dedo .........(esse mesmo o da asneira), as costas ficam completamente nuas quase até ao rabo, na frente uma generosa racha permite que ande e dance pois o veludo não é um tecido muito flexível, salto agulha bem altos.

Os cabelos vão presos numa trança de lado e como não poderia faltar o chapéu de bico na cabeça, a cara tem uma máscara de feiticeira bem velha com uma verruga com pelo e tudo!

Tou linda! Perdão, horrível!!!

A sala de jantar está cheia de mascarados, o jantar é buffet como convém nestas coisas e cada um escolhe a mesa que quer excepto os convidados para a mesa do comandante.

Escolho uma mesa perto de uma janela e vou servi-me, para variar como ostras e bebo champanhe!

Sentam-se 2 casais na minha mesa e mais uma mulher. Um dos casais está mascarado de algo parecido com Romeu e Julieta (se não tivessem morrido jovens), o outro à Anos 20, estão lindos e a mulher parece a Xerazade, espero que consiga contar as estórias todas!!

A pequena orquestra toca animadamente e as pessoas dançam e comem e bebem e metem-se uns com os outros, os comissários dançam com as Senhoras sozinhas e pelas 22h já a animação é enorme.

O álcool fez o seu efeito e já ninguém parece muito envergonhado, eu dancei bastante, com dezenas de homens, não sei se bonitos ou feios não deu para ver.

O vestido de veludo começa a fazer-me calor.

Quando o “meu” par me conduz até á mesa pego na taça de champanhe e saio para o convés, passeio pelo deque e detenho-me na popa do navio a saborear o vento fresco e a ver a longa esteira iluminada pela lua, enquanto beberico o meu champanhe!

Estou completamente absorta nos meus pensamentos, iluminada pela lua e envolvida pela brisa do mar, quando uma mão enluvada me tapa a boca!

Ao mesmo tempo que me tapam a boca, sou “empurrada” de encontra a amurada do barco, com força mas ao mesmo tempo com gentileza!

Ao meu ouvido alguém sussurra um “shiuuu”!

Uma mão sem luva entra no meu decote e sem qualquer pudor segue o “rego” do meu rabo nu até ficar com um dedo na entrada da minha vagina!

Eu que sou boa em cheiros, não consigo distinguir o perfume, não sei se é homem, se é Mulher!

O cheiro do mar e do vento confundem-me sim, o vento tem "cheiro"!

Mãos macias e bem tratadas hoje em dia não são só apanágio das Mulheres!

Mesmo sem eu querer, fico molhada e aquele dedo começa bem devagar a acariciar o meu clitóris!

A força vai aumentando até que o meu corpo começa a estremecer, involuntariamente abro a mão e a taça de champanhe cai no mar, perdendo-se na esteira branca!

Quando acaba a boca volta a encostar ao meu ouvido e diz mais baixo ainda, mais rouca.

-Não se vire para trás!

E vai embora!

Desorientada volto para dentro e olho para todos á minha volta, que seria?

Só vejo Homens e Mulheres mascarados e de luvas estão imensos!

Mas uma coisa eu sei, com os dedos da mão direita a cheirar a mim, só está um(a)!




Cicuta

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Et:De repente lembrei-me conto infantil da Cinderela!

E porque não, na Cinderela não era o sapato????

As Bruxas e Feiticeiras podem sempre ter de ler a sina na palma das mãos...

publicado por Cicuta às 23:01
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5 comentários:
De L.M a 10 de Maio de 2005 às 11:45
adora esta tua escrita..........isto é que é viagens


De Zuco a 10 de Maio de 2005 às 09:49
Quando voltaste ao salão a orquestra tocava "Stangers in the night". Quando começaste a ler sinas passou para "I got you under my skin".


De garanho a 9 de Maio de 2005 às 10:50
Não fossem os inconvenientes de ocasião que podem surgir, que melhor marca para transportar ao longo do dia do que a essência da mulher com quem estivémos antes... um beijo, gostei muito do texto!


De Infiel a 6 de Maio de 2005 às 17:14
Gostei muito... beijo da Infiel


De LaOtraChicaManita a 6 de Maio de 2005 às 10:29
Fantástico! Amei gaija. Ainda bem que a tua inspiração voltou... inspirastte-me também. Realmente com mãos a cheirar a nós não andam prai muitos mas pelo menos um pode sempre andar, que sirva pra que se lembrem de nós enquanto a nossa fragrancia marcar a sua pele... Beijos grandes.


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