Sábado, 3 de Agosto de 2013

A noite



Foto: Howard Schatz





Quando fechei a porta o meu cheiro ficou nos teus lençóis.

 

Saio encoberta pela noite, mas o amanhecer não tarda.

 

Da nossa noite trago o teu cheiro, as marcas da tua boca no meu corpo.

 

Nas pernas começam a doer-me os sítios onde fincaste os deus dedos, nas alturas de maior loucura.

 

Percorro o caminho a pé até minha casa, é longe mas preciso de andar, de deixar o ar da cidade tirar o cheiro a tabaco da minha roupa, pois o teu cheiro esse, está colado na minha pele.

 

Enquanto ando vou lembrando a nossa noite, quando me agarraste por detrás e me dobraste no balcão da cozinha, como o teu pénis me penetrou.

 

O vinho que derramámos um no outro e lambemos como dois felinos sedentos de sangue...

 

As tuas mão no meu corpo todo a forma como me possuíste e gritámos os dois como se o Mundo fosse só nosso.

 

Depois deitados no chão da sala fumámos um cigarro, bebemos e sem dizer uma palavra entretivemo-mos a explorar o corpo um do outro, milímetro por milímetro...

 

Beijamo-nos, lambemo-nos, cheiramo-nos, provamo-mos como dois animais e foi ainda sem falar que subi para cima de ti.

 

Montei-te como se monta um garanhão de classe, um puro sangue.

 
 
 

Estiquei as pernas ao longo do teu corpo e ajeitei-me de modo a que ele entrasse todo. Com um abanar de ancas lento fui forçado a penetração e a fricção do meu clítoris.

 

Tu entraste na dança e com o dedo estimulaste-me e foi num vai e vem cada vez mais enlouquecido e frenético que começamos novamente a chegar ao auge.

 

O teus olhos fechados, as veias das têmporas salientes, as expressões da tua cara, eram de gozo, prazer, por foder e ser fodido.

 

Acho que em determinada altura tudo se descontrolou, eu arranhei-te como nunca tinha arranhado alguém e tu viraste-te num ápice, quando dei por mim tinha almofadas na barriga e estava de gatas, contigo por cima, uma das tuas mãos na parede e a outra nos meus cabelos, penetravas-me com tal gana que voaram bancos, cinzeiros, copos...

 

Mordeste-me o pescoço como os felinos fazem quando acasalam e viemo-nos novamente como dois animais.

 

Caímos para o lado cansados, só bem mais tarde nos arrastamos para a cama e dormimos, tu dormiste!

 

Pela luz dos cadeeiros, que entrava nas janelas fiquei a ver-te dormir e quando o teu sono era bem profundo levantei-me.

 

Vesti-me com cuidado para não pisar vidros, fui há casa de banho escovei o cabelo deixei-te um beijo no espelho.

 

Abri a porta da rua e saí como um ladrão, encoberta pela noite e com a vontade saciada!

 

Quando acordares não estarei lá e como não sabes quem sou, nem onde me encontrares, de lembrança só te vai ficar o cheiro e alguns arranhões.

 

Talvez uma saudade te bata no coração em momentos de solidão ou de tesão, quem sabe?!

 

Ou talvez Um Dia nos encontremos numa esquina, num bar, no mar....

 

 

 

 

 


Cicuta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado por Cicuta às 11:01
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