Domingo, 3 de Abril de 2011

Eternos

 

 

As lágrimas rolavam-lhe pelo rosto e pelo peito, caíndo-lhe no regaço, ela chorava sem parar, sentada na ponta da cama onde jazia o corpo sem vida do seu homem, do seu amante.

 

A luz tremula do candeeiro de petróleo iluminava o pequeno quarto, dando-lhe um tom mais amarelado do que aquele que já tinha, a um canto a bacia e balde, com o jarro de esmalte, ainda tinham a água ensanguentada, os trapos molhados e tingidos de vermelho espalhavam-se pelo chão, em outro canto, mais afastado estavam as roupas deles, a camisa branca dele, a saia dela, o corpete, as botas, os botins, e a mesa com a bebida, os copos as flores, nesse canto, ainda parecia haver só felicidade, só Vida!

 

Com as mão a tremer ela agarrou as mão do amante, agora morto, e como que se fosse atigida por um raio, o seu corpo estremeceu e o quarto iluminou-se, ficou branco cheio de flores, ela deitada na cama e ele co muito cuidado ia-lhe desapertando o espartilho enquanto a beijava, o vinho barato passara a champanhe,, o lençois eram do mais fino linho...

 

Foram-se despindo mutuamente, com toda a calma do mundo, entre beijos e goles de champanhe, delicadamente sorvido de entre os seios dela, os abdominais dele, de tantos outros locais de onde se pode sorver champanhe no corpo de um amante.....

 

Delicadamente ele virou-a, beijou-lhe a nuca, segurou-lhe os longos cabelos e curvou-se sobre ela. penetrou-a, primeiro docemente, mas conforme o arfar dela foi mais fundo, o cabelo escorregava nas mãos traspiradas, os dois corpos transpirados, molhavam aquele linho fino.... Subitamente, ela mexeu-se e virou-o, agora liderava ela!

 

Ela olhava gulosa para aqueles abdominais bem definidos, fincou-lhe as mãos nas nádegas, e estavam tão sincronizados no balançar, que pareciam remadores das Galés...

 

Mas ele voltou a deitá-la de costas e colocou-se sob ela, pegou-lhe nas pernas, encostou-as no peito dele, as costas delas foram-se elevando da cama, lentamente, primeiro o rabo, depois as ancas, as costas de seguida e o ritmo não parava, antes pelo contrário aumentava...

 

Todo o quarto cheirava a eles, a alfazema dos lençóis, a flores mas principalmente a sexo... A cama batia na parede desesperadamente, caía caliça do tecto, os vizinhos batiam com as vassouras, no tecto ou no chão, na porta, mas nada, mesmo nada poderia impedir o que se passava naquele quarto!

 

Ele olhou nos olhos dela e ele nos dele, não falaram, pois não precisavam falar, o orgasmo falou por eles, o corpo dela estremeceu, não uma, não duas, mas milhentas vezes, como se fosse a última vez....

 

Quando abriram a porta do quarto 8 a Polícia entrou e ficou parada em frente à cama, tinham finalmente atendido ao pedido da D. Miquelina, a dona da pensão, para passearem por lá.

 

O quarto estava vazio, não tinha nada, nada mesmo!

 

Miquelina olha em volta, com cara de parva, a Polícia estava danada, pois achava que ela esta a gozar com eles, foram saindo do quarto, com Miquelina a olhar para trás sem saber o que dizer, pela 1ª vez na vida dela....

 

 

Quando o Amor é muito, pode ser eterno e quando dois Seres nasceram para serem Um Só, partirão como sendo Um Só, existem Amantes que são Eternos...

 

 

imagens: retiradas da internet não sei o autor

 

 

 

 

Beijo Doce

 

Cicuta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


publicado por Cicuta às 17:15
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